domingo, 28 de agosto de 2011

Morangos

Minha irmã comprou quatro caixinhas de morango. Quem está comendo tudo sou eu, assim como acontece com todos os bombons, chocolates, potes de nutella e frutas que colocam na geladeira - é um lugar público, afinal. Nunca fui muito fã de morangos mas, desde fui a SP com Carol, sinto que essa fruta é magnífica e gostosa No Mercado Municipal de SP vendiam morangos doces e muito grandes - do tamanho da minha cabeça - leve hipérbole. Claro que só comemos a amostra grátis, afinal, na vendinha, estudantes não tem direito a muita coisa além de amostras grátis de frutas e leve paquerada do garçom com direito a convite para ir a boate gay barra pesada com o pessoal do mercado municipal - isso realmente aconteceu HAHAHA. E, caramba, que morango gostoso! Depois disso, o contato de tive com morangos foi no sabor das balinhas 7 belo de iogurte que um amigo me deu - porque ele é alérgico. E então, minha irmã chega em casa com essas 4 lindas caixas de morangos de procedência garantida - o carinha do sinal. Esses morangos estão sendo muito bem tratados. Depois de limpos tiveram direito a ensaio fotográfico. Agora estão na geladeira, à minha espera. Toda vez que vou comê-los, eu os corto e fico observando como são bonitos por dentro. Assim que coloco o leite condensado, ele se aloja naqueles pontinhos pretos, os frutos. E depois eu os como - um fim triste. Na verdade, eu admiro as frutas porque elas são bem simples. Elas surgem, são coletadas, acabam nas nossas geladeiras, depois nas nossas barrigas, depois termina o que chamamos de "fruta". E pronto, elas cumprem o papel delas. A vida de uma fruta é muito fácil. Nenhuma fruta, obviamente, precisa estudar anos na faculdade para descobrir qual o seu papel. Elas não sorriem, mas também não choram. Quando tiradas de seus lares, elas não hesitam e corajosamente cumprem seu papel que quase sempre é servir de alimento pra outros animais. E, caminhando para o fim, sendo cortados, ainda continuam exalando beleza. Abraçam o leite condensado e os dois caminham guela abaixo. O morango nunca fez nenhuma escolha e aceita seu destino passiva e harmoniosamente. A vida deles é muito fácil e -às vezes - invejável. Acho que nenhum ser humano nunca vai ter tanta beleza quanto um morango vermelhinho comprado no sinal. Mesmo assim, é bom sorrir, chorar e viver. E até a angústia de achar um papel pra cumprir é boa.
Aqui uma das fotos dos moranguinhos:





mais em: flickr.com/photos/ligiachiisai



                                                                                                                                             Até!

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Inspiração

As janelas da aprendizagem vão se fechando, se fechando. Aprender um idioma era tão fácil mas já não é mais. Desenhar era também muito fácil: olhar pra aquele papel em branco lindo e virgem logo dava vontade de pegar uma caneta e riscar aqui e ali. De repente, um desenho estava pronto e a aula de matemática já tinha terminado. Hoje é mais difícil desenhar. Talvez porque desenhar não tenha muita utilidade. Pelo menos a habilidade de desenhar não vai constar no meu curriculum lattes, nem vai contar ponto pra sei lá o que ser usado em sei lá onde. Imagine se essa habilidade fosse critério de desempate em concursos públicos. Por isso priorizei os estudos científicos da universidade, que "vão me levar a algum lugar" - em tese. Agora já não sei mais se não desenho porque não tenho inspiração (a famosa desculpa do amador) ou se essa janela está ano a ano se fechando pra mim. A ideia era um dia cursar Artes Visuais, mas já estou com medo de chegar nessa data e me descobrir fazendo desenhos no estilo rupestre. Se bem que, a filosofia e as ciências humanas ocupam tanto tempo procurando a essência dos seres humanos, sendo que esta está, obviamente, nos "bonecos de palito", reproduzidos e entendidos nos quatro cantos da Terra, desde o homem primitivo, como mostrado nas paredes de cavernas, até os dias atuais, nos quais são usados nas mais modernas tirinhas de memes lançadas pelo blog nãointentendo.com. Portanto, será com grande prazer que chegarei ao meu segundo curso de graduação, Artes Visuais, desenhando bonecos de palito, mas, é claro, com uma pasta cheia de desenhos velhos. "Esse aqui eu fiz com 14 anos" - já me ouço dizendo. Pode ser também que eu continue na ciência, já que, depois desse post, tenho um ótimo problema de pesquisa que será minha tese de doutorado na França - "A essência humana segundo Platão - eidos - encontrada nos bonecos de palito: das pinturas rupestres ao blog nãointendo".
Enfim, eu escrevi demais. Só o que eu queria mesmo era agradecer as pessoas que me inspiram. aos gatos da praça que miam quando eu passo e ao céu que fica tão bonito no crepúsculo.








Até!


domingo, 21 de agosto de 2011

OOOWN









ooooooooown

Eufemismo

Engraçado que, por gostar de muitas coisas, às vezes fico perdida, não sabendo o que gosto de verdade. Inventaram alguns nomes pra isso: multifacetada, polivalente, polidimensional, mimética. Tenho uma leve suspeita que isso seja eufemismo. Ou realmente, o que aflige o coração indeciso, soa como uma vantagem pra alguns. Como ser bom numa só coisa, se você é quase bom em mais de uma? Não sei se tem resposta, mas o jeito é procurar um emprego bem específico. Um dia alguém vai dizer: "isso é algo que só ela conseguiria fazer!". Um trabalho interdisciplinar e criativo, vai abranger artes, filosofia e ciência. Algo que seja inovador e tecnológico, mas que use de arte suficiente pra tocar o coração das pessoas. Não sei bem se estou na direção certa. O gato Cheshire ensinou uma vez: se você não sabe pra onde vai, não importa que caminho tomará, então, eu tomei o caminho que me pareceu mais agradável. 5 anos depois desse post, espero não estar numa sala de arquivos escura e mofada, hiperglicêmica e antiquada, comendo rosquinhas e colecionando imagens no meu bookmarking. E chorando. Pensando bem, talvez eu fosse capaz de passar o resto do tempo da minha vida num bookmarking, desde que nunca parassem de fotografar lindas raposinhas...










Até!

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Pareceu que tinha alguém enxergando...

"Like a rock, like a planet
Like a fucking atom bomb
I'll remain unperturbed by the joy and the madness
That i encounter everywhere i turn
I've seen it all around"
Generator - Bad Religion








Estava triste, decepcionada com a vida. Minha sandália arrebentou na universidade, fui buscar uma nova e encontrei uma amiga do primeiro ano do ensino médio no caminho. Fiquei muito feliz. Mais tarde, precisei sair no meio da aula, desesperadamente apertada pra ir ao banheiro. No caminho, encontrei um amigo da oitava série do ensino fundamental. Figuei muito feliz também. Os dois apareceram no meu dia sem querer e tivemos conversas maravilhosas. Pareceu que tinha alguém enxergando minha tristeza e criando situações pra que eu encontrasse essas pessoas hoje.



Até!